
A Justiça decretou na tarde desta quinta-feira (10) a prisão temporária de Izabella Rodrigues da Silva, de 24 anos, suspeita de envolvimento na morte de seu próprio filho, João Pedro Esteves Rodrigues da Silva, de apenas 5 anos de idade, em Santo Anastácio/SP. Após dois dias de desaparecimento, o corpo do menino foi encontrado em um córrego na zona rural.
A prisão temporária, que vale por um período inicial de 30 dias, mas que pode ser prorrogada pelo mesmo prazo posteriormente, havia sido pedida pela Polícia Civil e contou com aval do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP).
Em cumprimento à ordem judicial, Izabella foi presa e encaminhada à Delegacia da Polícia Civil, em Santo Anastácio, para prestar depoimento sobre o caso.
O delegado responsável pelas investigações, Wanderley Campione, informou ao G1 que Izabella irá responder pelo crime de homicídio qualificado.
As situações qualificadoras do crime, segundo Campione, são as seguintes: motivo torpe; meio cruel; impossibilidade de defesa da vítima; vítima menor de 14 anos e vítima descendente.
A mulher será encaminhada à Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP) e passará por audiência de custódia na Justiça nesta sexta-feira (11).
Em entrevista à TV Fronteira, Campione citou que a suspeita enfrenta problemas psiquiátricos e passa por acompanhamento na rede de saúde municipal.
"Nós vamos usar todos os recursos [de] que a Polícia Civil dispõe, de médico legista especializado, para conduzir o relatório, já comprovando para ela [mãe] que encontramos a criança. Isso vai mudar muito a posição dela. Ela tem problemas psiquiátricos mesmo. Ela faz tratamento na rede de saúde municipal. Ela apresenta várias versões: em uma ela diz que a criança andava sobre a água, em outra que ela estava brincando com a criança e, em dado momento, ela passou mal, por causa do problema psiquiátrico, passou muito tempo lá e, quando ela viu, não achou mais a criança e a muito custo ela conseguiu ir embora", salientou o responsável pelas investigações.
O delegado reforçou que a mãe foi a última pessoa vista em contato com a criança.
"A Polícia Civil, desde o início, está diligenciando, procurando a autoria de eventual crime de homicídio. Era um desaparecimento, mas caminhava para um homicídio, causado pela própria mãe. Hoje foi encontrado o corpo. A mãe foi a última pessoa vista com a criança e ela entrou em um matagal, muito fechado, com várias larguras de poças d'água e saiu sozinha. Alguma coisa ela fez com a criança lá dentro", detalhou.
Campione enfatizou que as investigações até o momento não indicam a hipótese de envolvimento de outras pessoas no crime e que também não foram identificados sinais de violência no corpo do garoto.
"Não há nada que aponte outras pessoas, mas a gente vai investigar tudo. Até o momento, não tem nada, tem muita boataria, não tem nenhum outro indício que aponte uma terceira pessoa. Eu conversei com o perito, não há nenhuma marca [na criança] a olho nu. Só se o legista encontrar alguma coisa. Vamos tentar conversar com o legista ainda hoje. A investigação está procurando imagens nas imediações, não digo no matagal, que não existe, está procurando colher informações com os parentes sobre o comportamento desta mãe que, até então, era zelosa com o filho", afirmou.
Uma das hipóteses averiguadas pela Polícia Civil é a de que o crime possa ter sido desencadeado após o término de um namoro da mãe da criança.
"Nós vamos procurar saber o tipo de relacionamento que ela tinha com o namorado. Aparentemente, foi um fim de namoro que desencadeou. A pessoa não tem culpa. A pessoa usou do bom senso e terminou o namoro, mas parece que foi isso. Vamos ver, também, em que serviço de saúde e em que condição essa mãe estava", concluiu Campione à TV Fronteira.