
O céu do município de Santa Rita tem se destacado na região por conta das araras-canindé, consideradas por muitos um patrimônio da cidade. As aves têm chamado atenção dos moradores e turistas que param para registrar o momento com fotos e vídeos.
Apesar da grande procura pelo animal devido ao tráfico, na cidade, são os próprios cidadãos que defendem e fazem a segurança das aves.
"Ninguém faz mal para elas, ninguém, leva embora. Aqui todo mundo respeita e preserva." Disse um homem que tem as aves como vizinhas.
Uma moradora e dona de um comércio local acrescentou: "Elas estão cuidando dos filhotes, a fêmea fica protegendo o ninho e o macho vai atrás de comida. E elas são fiéis, depois que arrumam um parceiro nunca mais se separam."
Na cidade, os animais são tão respeitados que, até mesmo a construção de um galpão foi feita pensando nas aves. A palmeira morta e seca que abrigava os ovos e o ninho das araras foi a única coisa que não foi tocada durante a construção, e até hoje, meses após a obra, os animais continuam visitando o ninho e aproveitando o abrigo contra chuva que ganharam no local.
As araras-canindé são pertencentes à família Psittacidae e sua linhagem são: papagaios, maritacas, cacatuas e outros. Ou seja, isso faz com que elas possam imitar, com facilidade, a voz de um ser humano.
Mas o que é uma ave psittaciforme?
Os psittaciformes abrangem algumas das aves mais inteligentes, possuindo o cérebro mais desenvolvido, com bicos altos e aduncos e mandíbulas superiores maiores que as inferiores, tudo isso sem estar completamente fixa ao crânio.
Curiosidades:
Fazem ninhos no oco de árvores, preferindo palmeiras mortas. Na época da reprodução, costumam se separar do grupo. São postos em média dois ovos, no fim da primavera, chocados por cerca de 24 a 26 dias. Os filhotes ficam no ninho por cerca de 90 dias e, nesse período, são alimentados pelos pais, que regurgitam a comida.
Na natureza, essa ave tem o costume de viver em ambientes diferentes, partindo de regiões de clima tropical (úmido) para regiões de clima mais seco (como savanas e locais semiáridos). Voa aos pares (geralmente casal) ou de três indivíduos (casal e filhote), mas fazem parte de bandos maiores, com até 30 indivíduos, que se abrigam para dormir em poleiros coletivos, usando grandes deslocamentos diários, indo do ponto de alimentação até o ponto de descanso e pernoite.
Uma vez que formam casal, não mais se separam. Nidificam a cada dois anos entre agosto e janeiro, em buracos que escavam nos troncos de árvores e palmeiras. A serragem resultante se acumula no fundo, e serve para secar as fezes e acolchoar os ovos. A fêmea choca por 25 dias. O macho alimenta a fêmea durante este período e protege o ninho de invasores. Os filhotes nascem implumes, cegos e indefesos, e são alimentados por ambos os pais com frutas e sementes regurgitadas, permanecendo no ninho por três meses. Mesmo depois que aprenderem a voar, as crias permanecem com os pais por até um ano e atingem a maturidade sexual somente depois de três ou quatro anos.
O tráfico fez com que em alguns locais fosse extinta, como em Trinidad e Tobago, Santa Catarina, Paraguai e Bolívia, ou quase extinta, como em São Paulo. Na área do cerrado, atualmente o bioma mais ameaçado da América do Sul, onde outrora abundava, já é considerada em perigo.



