
A proliferação de guapés e outras plantas aquáticas no Rio Pardo tem chamado a atenção de pescadores, ribeirinhos e frequentadores do curso d’água em Santa Rita do Pardo. A situação foi discutida na segunda-feira (17), durante a 25ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal, quando vereadores abordaram o avanço da vegetação e os possíveis impactos ambientais e econômicos provocados pelo fenômeno.
Durante a sessão, o vereador Tafarel relatou a preocupação de pessoas que utilizam o rio e mencionou a ocorrência de grandes concentrações de vegetação aquática. Segundo as informações apresentadas, o excesso de plantas pode dificultar a navegação, prejudicar a atividade pesqueira e afetar estruturas e equipamentos utilizados por pescadores e demais usuários do Rio Pardo.

Entre os fatores discutidos está o processo de eutrofização, que ocorre quando há aumento da concentração de nutrientes na água, principalmente nitrogênio e fósforo. O excesso desses nutrientes pode estar relacionado ao escoamento de áreas agrícolas após chuvas e ao lançamento de efluentes e esgoto sem tratamento adequado, entre outras fontes.
Outro fator mencionado durante a discussão foi a presença do reservatório da Usina Hidrelétrica Mimoso. A redução da velocidade da água em áreas represadas pode criar condições favoráveis ao desenvolvimento e à concentração de plantas aquáticas. Com o acúmulo de vegetação, grandes blocos podem se desprender e seguir pelo curso do rio.

A decomposição da matéria orgânica também pode reduzir a quantidade de oxigênio disponível na água. Em determinadas condições, isso pode afetar a fauna aquática e provocar impactos sobre o equilíbrio ambiental do rio. A cobertura excessiva da superfície também reduz a passagem de luz para a água.
O avanço da vegetação foi relacionado, durante a sessão, a possíveis impactos sobre a pesca profissional e o turismo na região. Pescadores e ribeirinhos estão entre os grupos que podem ser diretamente afetados pela dificuldade de circulação de embarcações e pela presença de plantas em áreas utilizadas para pesca.
Os vereadores também discutiram possíveis relações entre atividades agrícolas desenvolvidas na região e a qualidade da água. Foram levantadas suspeitas sobre o uso e o escoamento de produtos utilizados em áreas de cultivo de eucalipto, mas, com base nas informações disponibilizadas, não há comprovação técnica apresentada durante a sessão que estabeleça uma relação direta entre essas atividades e a proliferação das plantas aquáticas.

O vereador Cristiano informou que o Legislativo municipal realizou reunião com a assessoria jurídica e avalia uma ação conjunta envolvendo a Prefeitura, o Ministério Público, pescadores profissionais, ribeirinhos e proprietários de pousadas. A iniciativa teria como objetivo buscar medidas relacionadas aos impactos observados em um trecho do Rio Pardo que atravessa o município.
A situação também envolve o acompanhamento de órgãos ambientais e de municípios da região. Informações apresentadas na discussão mencionaram monitoramentos realizados na região da Usina Hidrelétrica Mimoso e dados atribuídos ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), relacionados à presença de plantas e algas no Rio Pardo.

Até o fechamento desta matéria, nenhuma empresa de silvicultura com operações em Santa Rita do Pardo havia se manifestado sobre as suspeitas levantadas durante a sessão. Nenhuma empresa ou produtor foi nominalmente citado pelos vereadores. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações e esclarecimentos dos envolvidos.
Este conteúdo está protegido pela Lei de Direitos Autorais (Lei n.º 9.610/98). A reprodução, total ou parcial, do nosso material (textos, fotos e vídeos) em qualquer meio, seja impresso ou digital, sem prévia autorização por escrito, é expressamente proibida. O desrespeito a esta norma sujeita o infrator às sanções civis e penais.