
Novas imagens aéreas feitas por drones no fim de semana mostram grandes áreas do reservatório da Usina Hidrelétrica de Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, cobertas por macrófitas, plantas aquáticas que se proliferaram na região. A crise também alcança Santa Rita do Pardo, onde a vegetação deslocada pela correnteza chegou após percorrer aproximadamente 240 quilômetros pelo Rio Pardo, conforme levantamentos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Os registros divulgados pelo portal Vox MS mostram a extensão da vegetação acumulada no reservatório. Em Ribas do Rio Pardo, moradores e proprietários de ranchos relatam dificuldades para navegar e utilizar o lago para atividades de lazer. Também há relatos de aumento na presença de pernilongos na região.
Segundo informações divulgadas pelo Vox MS, atualmente uma máquina atua na retirada mecânica das plantas no reservatório. Avaliações técnicas citadas pelo portal apontam que seria necessário remover entre cinco e seis hectares de macrófitas por dia para conter o avanço da biomassa. O volume da vegetação pode dobrar em aproximadamente dez dias, conforme os dados apresentados.
Em nota enviada ao Vox MS, a Pantanal Energética, responsável pela operação da usina, informou que atua em conjunto com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). A empresa declarou que suspendeu, em agosto de 2026, as atividades de vertimento controlado de macrófitas, em atendimento a determinações do órgão ambiental, e que mantém ações de remoção mecânica e estudos técnicos especializados.
Relatórios técnicos do Imasul apontam o excesso de nutrientes na água, especialmente fósforo, como um dos fatores associados à proliferação das plantas. Entre as fontes mencionadas estão efluentes lançados pela Suzano e problemas operacionais na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Ribas do Rio Pardo, sob responsabilidade da Ambiental MS Pantanal/Sanesul. As características do barramento da usina, que reduz a velocidade da correnteza e favorece a retenção de biomassa, também são apontadas como fatores relacionados ao acúmulo da vegetação.
A dispersão das macrófitas pelo Rio Pardo levou à atuação do Ministério Público e a uma decisão liminar da Justiça de Bataguassu. Conforme as informações disponíveis, a determinação estabelece que a Pantanal Energética realize a contenção e a retirada das plantas dispersadas a jusante da usina, além de proibir manobras operacionais que provoquem novos deslocamentos da vegetação sem planejamento prévio.
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